Quando a PSIQUÊ pede cuidado

O burnout diz:
“Esqueci que também precisava viver.”
Quando viver vira apenas cumprir tarefas...
Você já teve a sensação de estar com o botão do automático ligado?
Os dias começam e terminam quase da mesma maneira.
Você acorda.
Cumpre compromissos.
Responde mensagens.
Resolve problemas.
Cuida da casa, da família, do trabalho.
E, quando a noite chega, ainda existe alguma coisa para revisar, organizar ou terminar.
A agenda vai ficando cheia.
O tempo para si vai ficando pequeno.
E, aos poucos, o cansaço deixa de ser apenas físico.

O descanso já não recupera.
Os finais de semana passam rápido.
As férias parecem não ser suficientes.
E aquilo que antes despertava entusiasmo começa a perder espaço.
Até que surge uma pergunta silenciosa:
“Será que é só isso?”
Vivemos em uma sociedade que valoriza quem produz, entrega e está sempre disponível.
Sem perceber, podemos começar a acreditar que descansar é perder tempo e que nosso valor está diretamente relacionado ao quanto conseguimos realizar.
Mas existe uma diferença entre estar ocupado e estar vivendo.
Na Psicanálise, compreendemos que o excesso de fazer, também pode ser uma forma de nos afastarmos do próprio sentir.
Quando deixamos de reconhecer nossos limites, o corpo e a mente encontram outras maneiras de sinalizar que algo precisa de cuidado.
Em alguns casos, esse esgotamento persistente pode estar relacionado ao burnout, especialmente quando o trabalho se torna fonte contínua de exaustão e passa a afetar diferentes dimensões da vida.
A natureza nos lembra que nenhuma terra permanece fértil quando é continuamente exigida sem tempo para se recuperar.
Nós também precisamos de pausas.
Precisamos de tempo para respirar, descansar, desejar, criar e simplesmente estar.
Produtividade pode construir uma carreira, mas não necessariamente dá sentido à vida.
Cuidar da saúde mental não significa abandonar responsabilidades.
Significa lembrar que, antes de todas elas, existe uma pessoa.
Uma pessoa que também precisa viver.
A Psicanálise oferece um espaço de escuta para compreender quando o fazer ocupou o lugar do sentir e possibilitar que novos sentidos e escolhas possam surgir.
Porque toda história pode encontrar novos caminhos quando existe espaço para ser escutada.
Uma pergunta para você
O que a sua PSIQUÊ está tentando lhe contar hoje?
Talvez a resposta não apareça imediatamente.
Mas a psique nunca deixa de falar.
O que muda é a forma como escolhemos escutá-la.
Se este texto fez sentido para alguém que você ama, compartilhe. Às vezes, reconhecer um sofrimento é o primeiro passo para cuidar dele.
Christina Guedes
Psicanalista


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