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Quando a PSIQUÊ pede cuidado

Foto do escritor: Christina Guedes
Christina Guedes
1 de set.
2 min de leitura

Quando o TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo diz: “Preciso controlar para me sentir seguro.”


Quando o controle deixa de trazer paz...

Na correria do dia a dia, muitas vezes conferimos alguma coisa mais de uma vez.

A porta de casa está fechada?

O alarme do carro foi ativado?

A mensagem foi enviada corretamente?

Também podemos reler uma mensagem, organizar novamente uma gaveta ou verificar algo antes de sair.


À primeira vista, pode parecer apenas cuidado, mas, quando a necessidade de conferir, organizar ou repetir se torna constante, existe algo há mais acontecendo.


Um pensamento que insiste.

Uma dúvida que retorna.

A necessidade de fazer novamente.

Então, a mente tenta antecipar.


Repetir.

Conferir mais uma vez.

Como se pudesse, dessa forma, afastar a incerteza, mas o alívio dura pouco.

A dúvida retorna, e, com ela, a necessidade de verificar novamente.


Não saber.

Não ter certeza.

Não conseguir prever.


É nessa busca por uma certeza que nunca parece suficiente que o controle pode deixar de trazer tranquilidade e começar a ocupar um espaço cada vez maior na vida.


Na Psicanálise, compreendemos que determinados comportamentos repetitivos podem estar relacionados a uma tentativa de aliviar uma ansiedade profunda, criando, ainda que momentaneamente, uma sensação de segurança. Por alguns instantes, conferir novamente traz alívio, mas esse alívio passa, e a necessidade retorna.


Saúde Mental
Saúde Mental

Quando este controle passa a interferi nas relações, no trabalho, nos estudos ou na tranquilidade do cotidiano, esse sofrimento merece ser escutado, em alguns casos, esses sinais podem estar relacionados ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).


Perceber nem sempre é fácil, muitas vezes, é no momento em que começamos a observar nossos próprios movimentos que algo pode ganhar outro significado.




O acompanhamento com um psicólogo pode abrir espaço para esse processo de autoconhecimento, ajudando a compreender o que está por trás da necessidade de repetir, conferir ou controlar.


Conhecer a própria história também pode ampliar as possibilidades de escolha e abrir espaço para viver com mais liberdade.


O mar pode nos ensinar sobre isso.

As ondas chegam, avançam e recuam.

Não podemos controlar o movimento do mar.

Podemos apenas acompanhar seu ritmo e aprender a permanecer diante dele.

A tranquilidade não está em fazer com que as ondas parem, mas em descobrir que podemos atravessá-las.

Porque a paz não nasce quando tudo está perfeitamente organizado.

Ela começa quando já não precisamos controlar tudo para acreditar que ficará bem.


A Psicanálise oferece um espaço de escuta para compreender o que se passa por trás da necessidade de controlar, encontrar palavras para aquilo que ainda não pôde ser dito e construir novas possibilidades de relação com a própria história.

Porque toda história pode encontrar novos caminhos quando existe espaço para ser escutada.


Uma pergunta para você

O que a sua PSIQUÊ está tentando lhe contar hoje?

Talvez a resposta não apareça imediatamente.

Mas a psique nunca deixa de falar.

O que muda é a forma como escolhemos escutá-la.


Se este texto fez sentido para alguém que você ama, compartilhe. Às vezes, reconhecer um sofrimento é o primeiro passo para cuidar dele.


Christina Guedes

Psicanalista

Psicóloga Clínica
Psicóloga Clínica

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