Quando a PSIQUÊ pede cuidado

Quando o TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo diz: “Preciso controlar para me sentir seguro.”
Quando o controle deixa de trazer paz...
Na correria do dia a dia, muitas vezes conferimos alguma coisa mais de uma vez.
A porta de casa está fechada?
O alarme do carro foi ativado?
A mensagem foi enviada corretamente?
Também podemos reler uma mensagem, organizar novamente uma gaveta ou verificar algo antes de sair.
À primeira vista, pode parecer apenas cuidado, mas, quando a necessidade de conferir, organizar ou repetir se torna constante, existe algo há mais acontecendo.
Um pensamento que insiste.
Uma dúvida que retorna.
A necessidade de fazer novamente.
Então, a mente tenta antecipar.
Repetir.
Conferir mais uma vez.
Como se pudesse, dessa forma, afastar a incerteza, mas o alívio dura pouco.
A dúvida retorna, e, com ela, a necessidade de verificar novamente.
Não saber.
Não ter certeza.
Não conseguir prever.
É nessa busca por uma certeza que nunca parece suficiente que o controle pode deixar de trazer tranquilidade e começar a ocupar um espaço cada vez maior na vida.
Na Psicanálise, compreendemos que determinados comportamentos repetitivos podem estar relacionados a uma tentativa de aliviar uma ansiedade profunda, criando, ainda que momentaneamente, uma sensação de segurança. Por alguns instantes, conferir novamente traz alívio, mas esse alívio passa, e a necessidade retorna.

Quando este controle passa a interferi nas relações, no trabalho, nos estudos ou na tranquilidade do cotidiano, esse sofrimento merece ser escutado, em alguns casos, esses sinais podem estar relacionados ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).
Perceber nem sempre é fácil, muitas vezes, é no momento em que começamos a observar nossos próprios movimentos que algo pode ganhar outro significado.
O acompanhamento com um psicólogo pode abrir espaço para esse processo de autoconhecimento, ajudando a compreender o que está por trás da necessidade de repetir, conferir ou controlar.
Conhecer a própria história também pode ampliar as possibilidades de escolha e abrir espaço para viver com mais liberdade.
O mar pode nos ensinar sobre isso.
As ondas chegam, avançam e recuam.
Não podemos controlar o movimento do mar.
Podemos apenas acompanhar seu ritmo e aprender a permanecer diante dele.
A tranquilidade não está em fazer com que as ondas parem, mas em descobrir que podemos atravessá-las.
Porque a paz não nasce quando tudo está perfeitamente organizado.
Ela começa quando já não precisamos controlar tudo para acreditar que ficará bem.
A Psicanálise oferece um espaço de escuta para compreender o que se passa por trás da necessidade de controlar, encontrar palavras para aquilo que ainda não pôde ser dito e construir novas possibilidades de relação com a própria história.
Porque toda história pode encontrar novos caminhos quando existe espaço para ser escutada.
Uma pergunta para você
O que a sua PSIQUÊ está tentando lhe contar hoje?
Talvez a resposta não apareça imediatamente.
Mas a psique nunca deixa de falar.
O que muda é a forma como escolhemos escutá-la.
Se este texto fez sentido para alguém que você ama, compartilhe. Às vezes, reconhecer um sofrimento é o primeiro passo para cuidar dele.
Christina Guedes
Psicanalista




Comentários